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25 fevereiro 2008

JUNO - e precisa mais?


“Americanos para a América” sempre foi mais importante do que “América para americanos”. Juno (Jason Reitman, 2007) não se tornou uma febre à toa. O filme empolga – principalmente os americanos – porque ele resolve de forma suave, bobinha, um drama filosófico complicado para geração que teve sua juventude nos anos noventa. Mas não só. Ele é uma solução descente ao extremo para os Estados Unidos.

O aborto é legal em vários estados americanos. Mas, é uma solução radical que envolve coragem e uma série de outros requisitos que, dizem, só quem passa pela situação sabe realmente o que é. Há os que são contra a sua legalidade – eles possuem um peso nos Estados Unidos. São conservadores, é claro. Republicanos. Podem estar em baixa, mas, enfim, sempre haverá republicanos. De vez em quando, quando um Bush filho aparece no horizonte para complicar tudo, como aconteceu após a Era Clinton, o aborto pode até se tornar novamente um drama, como foi antes dos anos 60. Além disso, por mais que exista liberdade de opções na América (não só para isto), o lema “Americanos para a América” nunca foi deixado de lado. Juno está sendo bem visto não só por ser bom filme, no estilo americano, mas por fornecer uma solução que pode parecer simples para algo que é complicado.

Juno tem 16 anos e está grávida. Ela tem pais que não são ricos – a boa classe média americana – e que, embora já não formem a família sem divórcios dos anos 50, continuam podendo manter tal instituição intacta nos Estados Unidos. Seu pai é trabalhador e entende o problema da filha. Antes de tudo, ele a ama. Juno tem uma madrasta dedicada e que a defende. Juno tem uma amiga bonita que paquera professores. E um namorado que não toma decisão alguma – por que tomaria? – e que não é um drogado. É bom aluno e bom esportista. Tímido, mas não nerd. E a ama verdadeiramente. Como ela a ele. Juno só precisa encontrar alguém para ficar com o bebê, em adoção. E tudo pode se resolver. Existe melhor cenário que este?

Eis a gravidez indesejada – isso ainda acontece! Acontece todos os dias com garotas espertas no mundo todo, mesmo existindo “camisinha” e “pílula do dia seguinte”. Juno mostra que é bom que o aborto se mantenha legal, para manter a dignidade da América, mas não para ser executado. Por outro lado, a adoção não é nenhum processo dramático demais – basta realmente ver que há procura de bebês. O filme é bem sucedido, então, pois o drama pode originar a comédia suave, quase inglesa. Eu disse “quase”, ela é tudo que existe na América para ser o mais americano dos filmes americanos. Por isso mesmo, é um bom filme.

O bom filme americano é aquele que mostra que nos Estados Unidos há opção para tudo, e que as opções, quando parecem más, não vão levar a uma ditadura; basta pensar mais. Quando parecem más é porque não se examinou todas as portas, pois há chance de encontrar mais uma – a correta. A “Americanos para a América” só pode perder para “América, a terra da liberdade”. Em Juno os Estados Unidos aparecem com tudo de bom que tinha nos anos 50, mas com tudo de novo e que se transformou mais suave ainda no começo do século. Caso o século XXI não for americano, e sim chinês, Juno ficará na história como que dizendo: tinha de ser americano para ser ... humano.



Paulo Ghiraldelli Jr., o filósofo da cidade de São Paulo



 
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